2.11.07
Eis o Futuro, os novos paradigmas e o diabo a quatro
Definitivamente, parece que o Futuro chegou. Pelo menos na música, acho já que podemos dizer isso. Primeiro foi o Oasis, que lançou o clipe do seu novo single no YouTube, para só depois lança-lo nos meios mais convencionais. Na semana seguinte, foi o Radiohead que radicalizou. A banda, sem gravadora, colocou seu disco à venda num site em que o internauta pagaria o que achasse justo pelo disco. Como se não bastasse, quem não quisesse pagar nada (zero libras) também poderia baixar o disco, normalzinho, totalmente for free.
Todo mundo se espantou, fãs, imprensa... Afinal: que diabos de estratégia é esta? Tudo bem que o Radiohead já é uma banda consagrada, pode se dar a este luxo de fazer essas extravagâncias. Mas porquê abrir mão de ganhar mais algum, quando teria tanta gente disposta a pagar e caro? Ao que parece, a questão não é quem paga, mas quem recebe, e é fato que há muito tempo os artistas tem ganhado uma parcela ínfima da vendagem dos discos. Os discos servem mais como divulgação, como os clipes, mais para fazer o pessoal ir aos shows, que é o que realmente lhes dá algum lucro.
No âmbito local (mas local mesmo) a moda já pegou faz tempo. Grande parte das bandas de forró não gravam mais discos convencionalmente. Gravam sim um show, o que é bem mais barato e rápido de se arranjar, fazem um cd, e contam com os piratas para disseminar o negócio. Obviamente a venda desses cds não vai lhes render nada, mas a quantidade de discos vendidos, o grau de penetração e repetição, garante platéias pra lá de robustas nos shows. Eles agradecem.
Esta prática na grande indústria, num nível global, trouxe a questão a público e desvelou a realidade por trás da venda dos discos. As gravadoras não devem ter gostado nada disso, ainda mais nesses tempos de downloads correndo para todos os lados e a pirataria campeando, livre, leve e solta. Mas como já dizia um professor de história, "toda transição é dolorosa". Vamos ver quem resiste mais.