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27.10.06

O maestro da revolução

2006 não está dando moleza para a classe artística. Depois de Raul Cortez e Bussunda, chegou a vez de Rogério Duprat.

Como ele não é tão conhecido como os outros dois, vale a pena um resumo. Voltemos ao final da década de 60: Beatles, contestação, psicodelia, Verão do Amor, Maio de 68, ditadura, Festivais da Record. Nesse contexto, surge no Brasil um movimento que tinha ares da Antropofagia de 1922: o Tropicalismo. Muita gente contesta a idéia de "movimento" porquê parece ser algo pensado, programado. Na prática, o que aquele pessoal que se reuniu em São Paulo no fim dos anos 60 queria era o mesmo que os modernistas pretendiam, que era fundir tendências internacionais com traços íntimos de nossa cultura. A diferença é que o foco dos tropicalistas era a música.

Para essa música se concretizar e dali pudesse pautar muito do que veio depois, foi necessário a formação do tripé baianos-Mutantes-Rogério Duprat. Os baianos chegaram ao Sul com toda uma bagagem de informações regionais e sabendo chamar atenção como ninguém. Vindos do interior, eles haviam sido criados no meio de todas as tradições (Cordel, Coco de Roda, Luiz Gonzaga), sem passarem batidos a João Gilberto e ¿o novo cantar¿ por ele inaugurado. Aos paulistas dos Mutantes coube a informação vinda de fora. Bem mais tímidos, os garotos estavam plenamente antenados com a proposta anárquica e com o experimentalismo que os Beatles haviam trazido para o Rock. Não foi à toa que Gilberto Gil os chamou para serem a sua banda de apoio num daqueles festivais.

Para fechar a trinca, veio Rogério Duprat para colocar ordem na zona da garotada. Maestro de formação, não resistiu aos ímpetos daquela galera e acabou participando dos discos de quase todos, seja como arranjador ou produtor. E fez trabalhos históricos. Além de todas as orquestrações dos discos da primeira fase dos Mutantes, Duprat participou do "Tropicália ou Panis Et Circenses", o marco zero do Tropicalismo, e ainda produziu um disco que é tido como um dos mais raros do mundo "A Banda Tropicalista do Duprat". Para se ter uma idéia do ecletismo do homem, o disco que marcou o começo da maturidade de Chico Buarque foi produzido por ele. ¿Construção¿ sem as suas orquestrações não seria a mesma coisa.

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