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13.8.06

(Olha aí, Bruno*, com uma semana de atraso, mas vale é a intenção documental...)

Foi de doer os ouvidos

Tudo bem que não tenha começado exatamente na hora, que a chuva quis estragar tudo, que houve alguns probleminhas técnicos... Mas quem tá ligando pra isso? Festival de rock é assim mesmo, quem achar ruim que fique em casa vendo DVD. O certo é que o Aumenta que É Rock Festival vai ficar marcado como uma das maiores eventos do gênero em terras pessoenses.

O festival foi organizado pelo pessoal do programa radiofônico homônimo, e já em sua primeira edição foi recheado de fatos notáveis: inauguração da casa, cobertura televisiva e presenças ilustres. A casa em questão é o Galpão 14, um imóvel localizado no centro histórico, ao lado do Hotel Globo, quase em frente à Casa Lúcio Lins. O lugar é bem bacana, composto por um espaço coberto (para música eletrônica) e um aberto com o palco ao fundo. Ambos funcionam muito bem, possuem uma acústica legal, além de ser ventilado, ótimo pros não fumantes com eu. O chato foi que eles tiveram que disponibilizar banheiros químicos, mas espero que façam sanitários de verdade por lá. A meninas agradecem.

MTVixeee... Que nada!
A cobertura televisiva ficou por conta da MTV. Os revoltadinhos hão de torcer o nariz, "ah, MTV está um lixo", "só passa o pop", etc, etc. Tudo bem, há um pouco de verdade em tudo isso. Só que não podemos nos esquecer de que a MTV é um veículo de comunicação de abrangência nacional, e é importante não só para a Paraíba, mas para o Nordeste, que o Brasil saiba que por estas bandas se faz bem mais que os "sons regionais". Derrubar estereótipos é sempre edificante. E mais: a MTV, obrigada pela sua razão de ser, sempre fez questão de difundir qualquer manifestação musical mais expressiva do país, a exemplo do Abril Pro Rock, Mada, dentre outros. Se eles vieram pra cá, é porque a coisa realmente mereceu atenção, o que nenhum veículo local pareceu ter percebido...

E quem tocou, colega?
Como o espaço é curto e ler na net é um saco, vou destacar algumas das apresentações mais relevantes, comentadas, badaladas, essas coisas. Quem abriu os trabalhos foi o quarteto pessoense Dalila No Caos, com seu stoner-rock-progressivo-vá-lá-o-que-isso-signifique. Rótulos à parte, o som vigoroso e pouco convencional da banda conseguiu prender a atenção da platéia, e se havia alguém de fora por ali já pôde se impressionar com uma das facetas mais inventivas da nova cena paraibana. E se impressionaria também com o que veio logo depois: o Cabeça Chata, do interior do estado. Tá, eles fazem um som com pitadas de regional, mas bem distante dos clichês que já nos cansam tanto. Livre das alfaias, por vezes pesada, a banda consegue incorporar outros ritmos sem que soe forçado, tudo recheado com letras sinceras e inteligentes. Foi uma das surpresas do festival.

O primeiro dia também contou com a pernambucana Volver, mostrando que Recife pode ir bem além do Mangue Beat, e com a sempre impagável Star 61. Quem encerrou a noite foi a baiana Retrofoguetes, cuja surf-music-virtuose-instrumental não empolgou tanto, seguida pela Relespublica, esta sim, uma decepção. O vocalista é ótimo, carismático, são um dos novos queridinhos da MTV, mas o set-list tinha covers demais para uma banda com tão pouco tempo de carreira.

O segundo e melhor dia foi fechado com a trinca Forgotten Boys (SP), Walverdes (RS) e Autoramas (RJ). Não é de hoje que os Forgotten Boys são figurinhas fáceis na MTV. Alguém pode alegar que um dos integrantes já foi funcionário da emissora, mas se a banda não tivesse som para fazer valer esta facilidade, jamais teria se estabelecido como uma das mais conceituadas bandas do underground brasileiro. Tanto que ganharam o respeito de gente como o dinossaurico João Gordo e do público alternativo em geral. Quanto a mim, confesso que nunca fui muito com a cara deles, mas depois de vê-los pirando a garotada com aquele genuíno rock'n'roll cheio de "come on" e "baby", só tive que reconhecer que são uma puta banda.

Segura o queixo, Luís!
Depois veio os Walverdes, e aí a baba correu solta. Foi disparado o melhor show do festival. De cara, nota-se a "química" que rola entre este power-trio, sem contar a inteligência e a competência dos integrantes enquanto instrumentistas, e do próprio guitarrista cantando. Mas banda que é banda não é só técnica, é alma, e isso eles tem. Com riffs poderosos e letras ácidas, os Walverdes fogem da onda do revival oitentista e se apóiam no Grunge para nos trazerem um som pungente, raivoso e criativo. Aí não deu outra: incendiaram a platéia do começo ao fim da apresentação, com direito a cover de Stooges para sacramentar o êxito. Enfim, estão prontos para despontar. Finalizando tudo, subiu ao palco os Autoramas e foi uma ótima surpresa. A apresentação não teve tanto brilho porque eles trocaram de baixista, a outra era bem mais charmosa, mas a nova até que mandou bem nuns backing vocals louquinhos. O show foi bem divertido, e foi bom ver que eles são bem mais do que aquilo que aparece nos clipes.

O festival foi perfeito? Não, não foi. Ao optar por uma linha essencialmente "rock", no sentido mais genérico do termo, a organização acabou escalando bandas sem muita expressão nem experiência de palco, talvez por uma demo bem gravada, vai se saber. Ainda assim, o Aumenta Que é Rock festival foi uma das maiores e mais louváveis iniciativas jamais presenciada por este que vos tecla, porque dentre tantas coisas positivas que ele proporciona, um festival assim areja a cena local, serve de incentivo para quem é do ramo, e funciona como uma alternativa ao lixo cultural que nos rodeia. Vida longa ao festival e que ele permaneça fixo no calendário cultural da cidade.

*Bruno é o único leitor desde blog. Pelo menos, o único que se manifesta "regularmente".


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