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14.6.06

Jovem Guarda é nossa

Comumente se apregoa que o movimento da Jovem Guarda não foi mais do que um simulacro da Primeira Invasão Britânica, nome dado ao primeiro grande fluxo de grupos ingleses que despontou para o mundo no início dos anos 60, puxado pelo estouro dos Beatles. No Brasil eles também causaram seu estrago, e acabaram encorajando muita gente a fundar as suas bandas. Este é o ponto em que acabam as semelhanças e começam as divergências entre o que se fez lá e aqui naqueles anos, o que, à primeira vista, pode parecer a mesma coisa.

As grandes diferenças entre as duas realidades tem fundo histórico. Em meados da década de 60, as grandes influências do rock inglês eram os artistas e os grupos de R&B americanos, como Ray Charles e The Supremes. Muita gente, como os próprios Beatles, acabaram fundindo as vocalizações do R&B com o formato do rock clássico derivado blues, desenvolvido por Chuck Berry e consagrado por Elvis Presley. Os Rolling Stones eram ainda mais radicais nesse aspecto, bebendo diretamente da fonte do Blues através do som de gente como Muddy Watters e Robert Johnson. Era tanta a influência Black na Inglaterra que os grupos da geração seguinte, já distantes de Chuck e de Elvis, acabaram virando grupos de R&B com guitarras possantes. Esta foi a geração Mod, encabeçada por gente como The Who, The Kinks e Small Faces.

No Brasil, a coisa tinha se iniciado com as versões de Celly Campelo para roquinhos bobos italianos. As bandas e artistas que foram surgindo acabaram levando adiante aquele mesmo formato de canção que ainda estava muito arraigado ao estilo de Elvis Presley, Billy Halley e Roy Orbison, coisa já em decadência no mundo. A influência da música Black só chegaria aqui bem depois, com o Soul e o Funk, às portas dos anos 70.

A outra grande diferença está nas temáticas. No começo da carreira, enquanto os Rolling Stones já tinham versos como "Então o quê que um pobre rapaz pode fazer/ A não ser cantar em uma banda de rock/ Porque na cidade sonolenta de Londres/ Não há lugar para um lutador nas ruas", os Beatles dentro daqueles ternos limpinhos gritavam coisas como "I wanna be your man" e "Money, that's all I want". Tudo isso seria impensável no repertorio de Roberto Carlos ou dos Fevers, no mesmo período. Por aqui só se falava em amor, amor e amor. Se pudéssemos localizar as duas realidades na vida de uma pessoa, o rock inglês do inicio dos anos 60 seria o fim da adolescência, enquanto que a Jovem Guarda seria o seu início.

E para citar outra diferença, nos remetamos a história mais uma vez. Nós, aqui, brasileiros, fazemos parte de uma linhagem de românticos inveterados marcados pelo estigma de Camões. Tivemos o Romantismo, depois o Ultra-romantismo, e ainda o Parnasianismo para acabar de sacramentar a nossa vocação lírica. Esta mesma vocação veio pautando boa parte da expressão artística, inclusive a música, é claro, até os anos 60. Veio com o choro, o chorinho, os primeiros sambas, sambas-canção, e até na Bossa Nova metida a moderninha. Diferentemente dos ingleses, que não passaram por nada disso, quando muito um Shakespeare longínquo, os brasileiros que agora empunhavam guitarras foram criados ouvindo Orlando Silva, Silvio Caldas e mais posteriormente João Gilberto, algo que acabou lhes marcando de forma indelével, e viria a refletir em seus trabalhos. Para resumir, basta dizer que Roberto Carlos começou na carreira de cantor como uma espécie de João Gilberto cover.

Poderia-se ainda enumerar diversas diferenças no âmbito instrumental, técnico, mas se tornaria por demais enfadonho para os leigos no assunto. Enfim, é preciso que se diga que a Jovem Guarda foi um movimento acima de tudo brasileiro, que apenas seguiu algumas poucas indicações externas, numa velha prática típica nossa desde a turma de Oswald de Andrade, morou?

LUÍS VENCESLAU - 2:11 AM

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1.6.06

Banda Gauche, de João Pessoa, lança EP com pop-progressivo

A banda Gauche, de João Pessoa, acaba de lançar um EP com quatro músicas gravadas ao vivo em estúdio. As músicas foram gravadas em março deste ano, e lançadas pelo selo paraibano-pernambucano Musicland Records. O combo pessoense de pop progressivo surgiu em 2003, pelas mãos de Bruno Sérgio (voz, teclados e violão), então integrante do The Silvias, junto com Luis Venceslau (guitarra), Paulo "Gauche" Victor (bateria) e Tom "Ramone" Alves (baixo); formação atual e definitiva.

O disco abre com 'Teatro de Serafins' "com orientação psicodélica, que remete às melodias e ao lirismo do Violeta de Outono", descreve o jornalista Jesuíno André, que apresenta o trabalho. Na seqüência, continua ele, "em 'O Palhaço', como o próprio título sugere, a levada é toda circense. 'Primavera' é uma balada em forma de doce lamento, boa prova da diversidade melódica/harmônica do grupo. Fechando com 'Seja Onde For' uma canção curta com intensidade crescente e um guitarra com timbragem similar a de Mark Knopler".

Em suas influências, "Gauche traz sons que vão da psicodelia folk-pop anos 60 até as tendências retro-progressivas atualizadas, e é nesse balaio que podemos citar Violeta de Outono, Echo and The Bunymen, Byrds e Mopho, como bons exemplos para situarmos a escola da banda", diz Jesuíno André. "Longe de serem estranhos, a possibilidade de desenvolverem uma musicalidade envolvente e consistente é infinita. Vale uma prova".

fonte: Senhor F

Clique aqui para ouvir a banda.


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