8.8.05 :::
A segunda-feira da Festa das Neves
A segunda-feira da festa das neves teve como atrações da noite o Jaguaribe Carne (mitológico grupo de Pedro Osmar e Paulo Ró), Star 61 (o sensação do rock paraibano na atualidade) e os regueiros do Rastamen.
A noite era fria, chuveirava, e o acesso ao palco na Praça da Socic não é dos mais fáceis. Sinceramente, o lugar é feio: obscurecido pelas árvores, com terreno acidentado pelas raízes, pelas marcas da praça e de um estacionamento, enfim, não rola mesmo. Mas apesar dos obstáculos, um público até razoável se aventurou naquela segunda pra prestigiar os festejos da padroeira. Como cheguei atrasado, perdi a apresentação do Jaguaribe Carne, que certamente deve ter sido pra lá de criativa e enriquecedora. Pena.
Aí veio do Star 61 com o seu escracho costumeiro. Como também já é costumeiro (pelo menos nas apresentações que eu presenciei) o céu ficou à beira de despencar num pé d'água dos diabos. Felizmente a chuva outra vez não atrapalhou a audição e a banda pôde desfilar o seu repertório que tem conquistado muita gente na cidade e em festivais por aí.
A atuação de Flaviano como vocalista e frontman é sempre um show à parte, com seus boás, sua peruca black-power e sua meia-arrastão. Só que aqui não se trata de uma ênfase na imagem, a opção por uma performance peculiar como uma muleta pra suprir o vazio da música. Na verdade, a coisa tem que ser tomada como um espetáculo: a postura da banda, a temática das letras, e a música, é claro.
E o som deles é muito bom. O repertório se sustenta bem, e eles sabem o que estão fazendo e para quem estão fazendo. Numa cidade como João Pessoa, famosa pela bipolaridade Hardcore/Metal, o Star 61 apareceu justamente preenchendo a lacuna entre esses dois pólos, com uma proposta criativa, melódica e sem radicalismos. É uma alternativa pros alternativos, órfãos desse som até pouco tempo.
Não adianta apontar uma principal influência. A música do Star 61 perfaz uma trilha que começa lá atrás com os Secos e Molhados, o Glam de David Bowie e New York Dolls, passando pelos Smiths até os Pixies e o Placebo, já dos anos 90. Pois é, não é a coisa mais original do mundo, mas quem se importa com isso? O Oasis não era, nem os Strokes, e olha o que eles fizeram...
É certo que, apesar da participação do guitarrista Túlio, que veio da Bahia especialmente para o evento, a apresentação não foi das mais inspiradas. Ainda sim, foi interessante porque a banda apresentou três músicas novas, que já sinalizam para uma maturidade no som e para uma leve perda no humor já característico...
E finalizando a noite dos corajosos, o Rastamen tocou para uns cinco gatos molhados, digo, pingados. Foram até bem. Tocaram todos aqueles reagges que todo mundo finge que tá cansado de gostar, mas que na hora lá balança todo mundo. Os obrigatórios Bob Marley, Tribo de Jah, Cidade Negra e o ministro Gilberto Gil foram alguns dos lembrados, sem contar nas versões suingadas pr'O Rappa e Chico Science. Os festejos da noite acabaram ao som de "Vamos fugir", e todo mundo, já refeito da ilusão praiana da música, tratou de fugir foi pra casa pra se abrigar daquela friagem medonha.
A seguir: Festival Mundo
::: posted by LUÍS VENCESLAU at 2:03 AM
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